“O Sínodo é um espaço da ação do Espírito Santo”, disse o papa Francisco na abertura da Assembleia Sinodal

sinodo2015“O Sínodo é uma expressão eclesial, isto é, a Igreja que caminha unida para ler a realidade com os olhos da fé e com o coração de Deus. O Sínodo se move necessariamente no seio da Igreja e dentro do santo povo de Deus, do qual nós fazemos parte na qualidade de pastores, ou seja, de servidores. Além disso, o Sínodo é um espaço protegido onde a Igreja experimenta a ação do Espírito Santo”, disse o papa Francisco, na abertura do segundo dia dos trabalhos sinodais, na manhã de hoje, 5.

A 14ª Assembleia Ordinário do Sínodo dos Bispos sobre a Família iniciou no domingo, 4, no Vaticano. Com o tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”, a reunião prosseguirá até o dia 25 de outubro.

A Assembleia conta com a participação de 270 padres sinodais, provenientes dos cinco continentes, assim divididos: 54 da África, 64 da América, 36 da Ásia, 107 da Europa e 9 da Oceania. Colaboram com os trabalhos 24 especialistas, 51 auditores e auditoras e 14 delegados fraternos. Além disso, 18 casais estão presentes na Assembleia Sinodal.

Oração e trabalho

Após rezarem a hora média, o presidente-delegado, cardeal Vingt-Trois, saudou os participantes do Sínodo. Na sequência, o papa Francisco acolheu os padres sinodais e colaboradores da Assembleia Sinodal. Ele recordou que o Sínodo não é um congresso ou um parlatório, não é um parlamento nem um senado. “Mas é um caminhar juntos, com o espírito de colegialidade e de sinodalidade, adotando corajosamente a parresia, o zelo pastoral e doutrinal, a sabedoria, a franqueza e colocando sempre diante dos olhos o bem da Igreja, das famílias”, pontuou o papa.

Para Francisco, o Sínodo só poderá ser um espaço da ação do Espírito Santo se os participantes se revestirem de coragem apostólica, de humildade evangélica e de oração confiante.

“A coragem apostólica que não se deixa intimidar nem diante das seduções do mundo, que tendem a apagar do coração dos homens a luz da verdade, substituindo-a com pequenas e temporárias luzes; a humildade evangélica que sabe esvaziar-se das próprias convicções e preconceitos para ouvir os nossos irmãos; humildade que leva a apontar o dedo não contra os outros para julgá-los, mas para estender a mão, para erguê-los sem jamais se sentir superiores a eles”.

Ao final do discurso, o papa recordou que “sem ouvir Deus, todas as palavras serão somente palavras que não saciam nem servem. Sem deixar-se guiar pelo Espírito, todas as nossas decisões serão somente decorações que, ao invés de exaltar o Evangelho, o cobrem e o escondem”.

Em coletiva de imprensa, o secretário-geral do Sínodo dos Bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri, disse que, durante os trabalhos da Assembleia, será mantido o critério já expresso pelo papa Francisco. “O Sínodo deve ser um espaço protegido para que o Espírito Santo possa agir; de modo que os padres sinodais tenham a liberdade de se expressarem com coragem”, explicou.

Informações estão disponíveis no portal da Assembleia Sinodal no endereço synod15.vatican.va. Diariamente haverá coletiva de imprensa com padres sinodais.

Participantes do Brasil

O país está representado pelo arcebispo de Aparecida (SP) e presidente-delegado do Sínodo, cardeal Raymundo Damasceno Assis. Entre os delegados escolhidos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e confirmados pelo papa estão o arcebispo de Brasília (DF) e presidente da Conferência, dom Sergio da Rocha; o bispo de Camaçari (BA), dom João Carlos Petrini; o arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, e o arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Pedro Scherer.

O cardeal brasileiro João Braz de Aviz também participa da Assembleia Sinodal por ser o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, um dos dicastérios da Cúria Romana. Pela nomeação pontifícia, está o arcebispo de Manaus (AM), dom Sérgio Eduardo Castriani.

Outros brasileiros participam do Sínodo:o o professor emérito de Teologia Moral e Ética no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ), padre Antonio Moser, que colabora na secretaria especial; os professores Ketty Abaroa de Rezende e doutor Pedro de Jussieu Rezende, da Universidade Estadual de Campinas (SP) e que estão envolvidos em trabalhos pastorais sobre os desafios da família, como auditores;  Tiago Gurgel do Vale, como assistente.

O pastor luterano Walter Altmann, também presente no Sínodo, está entre os delegados fraternos representando o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), no qual atuou como mediador.

Documento final

A Comissão para a Elaboração do Relatório Final nomeada pelo papa Francisco é composta por representantes dos cinco continentes: cardeal Péter Erdo, arcebispo de Esztergom-Budapeste (Hungria); dom Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto (Itália); cardeal Oswald Gracias, arcebispo de Bombaim (Índia); cardeal Donald William Wuerl, arcebispo de Washington (EUA); dom John Atcherley Dew, arcebispo de Wellington (Nova Zelândia); o arcebispo Victor Manuel Fernández, reitor da Pontifícia Universidade Católica Argentina (argentina); dom Mathieu Madega Lebouakehan, bispo de Mouila (Gabão); dom Marcello Semeraro, bispo de Albano (Itália); padre Adolfo Nicolás Pachón, S.I., propósito Geral da Companhia de Jesus, representando a União dos Superiores Gerais.

Fonte: cnbb.org.br