Missão é servir – Campanha Missionária 2015

“Quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos” (Mc 10,44)

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

Outubro é o Mês das Missões, é tempo forte para intensificar as orações e os compromissos da Missão. Pois a dimensão missionária é a mais profunda identidade da Igreja: ela existe para continuar a missão de Jesus Cristo aqui na terra. A única razão de ser da Igreja é anunciar a pessoa do seu Mestre, para transformar-se em estado permanente de missão, sendo luz, sal e fermento no mundo, a fim de renovar a sociedade pelos valores do Evangelho. Trata-se, portanto, de despertar nos cristãos a alegria e a fecundidade de sermos discípulos missionários de Jesus Cristo, expressando esta extraordinária alegria de “estar-com-Ele”, para sermos enviados à missão.

No primeiro dia do mês de outubro, a Igreja celebrou a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), a Padroeira das Missões. Uma santa religiosa de vida contemplativa, que faleceu aos 24 anos, no convento, conhecida por ser santa com vida simples, sem feitos extraordinários. Descobriu que sua missão era ser o amor no coração da Igreja. Junto com esta santa, a Igreja declarou Padroeiro das Missões também São Francisco Xavier (1506-1552) − cuja memória litúrgica é celebrada no dia 3 de dezembro −, pois em doze anos ele percorreu milhares de quilômetros para implantar a fé cristã na Índia, na Indonésia e no Japão.

O Dia Mundial das Missões foi instituído pelo Papa Pio XI em 24 de abril de 1926, dia este que deve ser celebrado, em toda a Igreja, no penúltimo domingo do mês de outubro. O Papa Francisco, na Mensagem que enviou a toda Igreja, por ocasião deste dia, salienta a forte ligação que existe entre Missão e a Vida Consagrada, pois ele proclamou este ano de 2015 como o Ano da Vida Consagrada. O Papa afirma que “a missão é uma paixão por Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, uma paixão pelas pessoas”, preferencialmente “os pobres, os humildes e os doentes, aqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, aqueles que não te podem retribuir (cf. Lc 14,13-14). Uma evangelização dirigida preferencialmente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer”. Por isso, o Papa Francisco insiste que “é urgente repropor o ideal da missão com o seu centro em Jesus Cristo e a sua exigência na doação total de si mesmo ao anúncio do Evangelho. Nisto não se pode transigir: quem acolhe, pela graça de Deus, a missão, é chamado a viver de missão. Para tais pessoas, o anúncio de Cristo, nas múltiplas periferias do mundo, torna-se o modo de viver o seguimento d’Ele e a recompensa de tantas canseiras e privações”.

Este sentido e a urgência da Missão, afirma o Papa, aplicam-se plenamente aos que escolhem viver radicalmente as exigências do Reino como consagrados e consagradas. Pois, se a vida religiosa nasce do seguimento de Jesus, da paixão por Ele, a essência da vida religiosa é ser missionária, é anunciar e vivenciar o amor de Deus, na oração, na vivência dos conselhos evangélicos (pobreza, castidade e obediência), no testemunho de vida e na Missão: “de forma especial aos consagrados, é pedido para ouvirem a voz do Espírito que os chama a partir para as grandes periferias da missão, entre os povos onde ainda não chegou o Evangelho”, particularmente na extraordinária abertura à missão ad gentes, isto é, além-fronteiras.

No Brasil, a Campanha Missionária é organizada pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), com a colaboração das Comissões para a Ação Missionária e para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Sempre são escolhidos um tema e um lema. Dando seguimento à proposta da Campanha da Fraternidade deste ano (Tema: Fraternidade: Igreja e Sociedade, com o Lema: “Eu vim para servir” [cf. Mc 10,45]), o tema escolhido para o Mês Missionário deste ano é: Missão é servir, e o lema: “Quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos” (Mc 10,44). Realmente é o serviço que dá sentido à missão. Para Jesus, o missionário é aquele que serve, vivendo o mandato missionário do Senhor (cf. Mt28,19-20). E o missionário precisa servir a quem precisa mais, servir aqueles com quem o próprio Jesus Cristo se identifica (cf. Mt 25,34-40). Esta é a verdadeira missão dos missionários de Jesus: servir e servir quem precisa mais! E fruto deste serviço missionário se concretizou na coleta missionária que foi feita no penúltimo final de semana de outubro (dias 17 e 18), a fim de ajudar a Igreja em terras de missão.

Queridas irmãs e irmãos diocesanos: este mês missionário deve animar ainda mais nossa querida e amada Igreja de Jundiaí, empenhada no projeto das Santas Missões Populares. Após o 1º Retiro Missionário Diocesano, ocorrido no período de 26 a 28 de junho deste ano, nossas Paróquias estão realizando os Retiros Missionários Paroquiais, para tornar nossa Igreja Diocesana uma Igreja mais discípula, missionária, acolhedora, samaritana e misericordiosa. Pois a Missão exige que nós vamos ao encontro das pessoas a fim de que elas descubram, em Jesus Cristo, o sentido verdadeiro de sua vida (objetivo pessoal), tornando nossas paróquias “casa de todos”, comunidade de comunidades (objetivo eclesial) e contribuindo para que haja vida e cidadania para todos (objetivo social).

Deste modo, espero que o Mês Missionário tenha servido como alerta para que as nossas comunidades não se fechem em si mesmas, no seu próprio território paroquial ou diocesano.

A Missão de Jesus Cristo exige de nós abertura e serviço a todos, isto é, a missão ad gentes, além-fronteiras. Por isso, elevemos a Deus nossa sincera e profunda ação de graças a tantos diocesanos que estão vivendo a Missão em outras terras: no Brasil e outros países. São indivíduos e famílias inteiras, como também alguns dos nossos presbíteros: padres José Roberto de Oliveira e Norberto Savietto (Diocese de Roraima – RR), padre Rodrigo de Oliveira Silva (Diocese de Marabá – PA) e padre Luiz Antônio de Aguiar (Japão).

Confiemos os nossos missionários a Maria, Mãe da Igreja e modelo de missionariedade, para que eles cooperem no anúncio do Evangelho no próprio território diocesano, mas sempre abertos também para a missão ad gentes, com oração e o serviço abnegado e generoso.

E a todos abençoo, particularmente nossos missionários e missionárias, todos aqueles que, de maneira ou outra estão envolvidos no Projeto Diocesano das Santas Missões Populares e os membros do Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), do Conselho Missionário do Seminário (COMISE), dos Conselhos Missionários Paroquiais (COMIPAs) e da Infância e Adolescência Missionária (IAM).

Dom Vicente Costa

Fonte: dj.org.br