O Jubileu Extraordinário da Misericórdia

“Misericordiosos como o Pai” (cf. Lc 6,36)

homilia_dom_vicente_costa_congresso_missionario_6Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

O Ano Jubilar, também chamado de Ano Santo, é o período de aproximadamente um ano, em que se celebra um acontecimento ou um fato importante da história da nossa salvação. O primeiro Ano Santo foi celebrado em 1300, por iniciativa do Papa Bonifácio VIII. Ele planejou um Ano Santo a cada cem anos, mas, a partir de 1475, passou a ser celebrado a cada vinte e cinco anos, a fim de que mais fiéis participassem dele. Até hoje foram celebrados vinte e seis Anos Jubilares Ordinários. São João Paulo II convocou o último Ano Santo Extraordinário da Redenção, no ano 2000.

O Ano Santo ou Jubileu tem uma clara fundamentação bíblica. O texto do Livro do Levítico, capítulo 25, ajuda-nos a entender o significado do “jubileu”. De cinquenta em cinquenta anos, o povo de Israel ouvia ressoar a trombeta (“jobel”), que os convocava para celebrarem o ano santo. Era o tempo mais propício para se reconciliar com Deus, com o próximo e com a criação. Por isso, entre outras coisas, promovia-se o perdão das dívidas, a ajuda aos carentes, a libertação dos escravos e a devolução da terra aos antigos proprietários. Também Jesus Cristo apresenta o início do seu ministério como o “ano da graça”, “tempo jubilar”, tempo de novos relacionamentos com Deus e com os outros, principalmente com os mais sofredores e necessitados (cf. Lc 4,18-19).

O Papa Francisco, pela Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia: “Misericordiae Vultus” (“O Rosto da Misericórdia”), lançada no dia 11 de abril deste ano – Vigília do 2º Domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia −, determinou que o Ano Santo da Misericórdia se iniciasse na Solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro de 2015) e se concluísse no dia 20 de novembro de 2016, Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. A abertura deste Jubileu coincide com os cinquenta anos do encerramento do Concílio Vaticano II (1962-1965), e reveste este Ano Santo de um significado especial. De fato, São João XXIII, ao convocar este Concílio, propôs uma Igreja que usasse mais a misericórdia e a reconciliação do que a severidade da condenação.

Queridas irmãs e irmãos diocesanos: assim podemos entender melhor por que o Papa Francisco escolheu o tema da misericórdia para este Jubileu Extraordinário: “Misericordiosos como o Pai” (cf. Lc 6,36). No documento de convocação deste acontecimento extraordinário, o próprio Papa afirma: a misericórdia “é fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado” (n. 2). Portanto, o Jubileu Extraordinário será tempo para tratar as nossas próprias feridas, perdoando-nos uns aos outros pelo amor misericordioso do Pai a fim de que sejamos, de fato, testemunhas de misericórdia.

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia será tempo privilegiado da graça de Deus para oferecermos inúmeros sinais de ternura e amor a tantos que estão na tribulação, vivem sozinhos e abandonados, iluminando suas vidas com a esperança e a certeza de serem perdoados e sentirem-se novamente amados pelo Pai. Dentro do Projeto das Santas Missões Populares que a nossa Diocese assumiu, o Papa Francisco lembra a necessidade de organizarmos “missões populares” (n. 18b), a fim de que todos sintam a alegria do reencontro com Jesus, o Bom Pastor. Portanto, que o Jubileu Extraordinário da Misericórdia reforce o Projeto Diocesano das Santas Missões Populares.

Há várias maneiras de participar ativa e frutuosamente do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Eis algumas: (1) converter-se pela misericórdia de Deus; (2) ir ao encontro das pessoas afastadas da Igreja e dos que vivem nas periferias existenciais; (3) praticar as obras de misericórdia corporal e espiritual; (4) a oração, o jejum e a caridade; (5) participar do Sacramento da Confissão ou da Reconciliação; (6) participar da Eucaristia; (7) perdoar de todo o coração a todos; (8) superar a tentação da corrupção; (9) deixar a injustiça e a violência; (10) receber as indulgências previstas neste Ano Santo. A nossa Diocese, de acordo com o documento de convocação do Ano Santo e dentro do Projeto Diocesano das Santas Missões Populares, preparou uma série de ações pastorais para bem vivermos este momento marcante da graça e da presença misericordiosa de Deus em nosso meio.

Um dos pontos do Ano Santo será a Porta da Misericórdia e a peregrinação a estas Portas Santas. Em nossa Diocese serão abertas três Portas Santas: (1) na Catedral: dia 13 de dezembro de 2015, às 18h30; (2) no Santuário Diocesano Senhor Bom Jesus, Pirapora do Bom Jesus: dia 27 de dezembro de 2015, às 11h; (3) no Santuário Nacional do Sagrado Coração de Jesus, Itu: dia 6 de janeiro de 2017, às 19h30, quando a Diocese celebrará o 49º aniversário de sua Instalação Canônica. Durante o Ano Santo todos os fiéis são convidados a fazer a peregrinação para chegar e passar pela Porta Santa como sinal de que a misericórdia divina é uma meta a alcançar e que exige empenho e sacrifício. Passando pela Porta Santa, o(a) peregrino(a) é convidado(a) a assumir uma nova dimensão misericordiosa na sua vida.

O Papa termina o documento de convocação do Jubileu Extraordinário, invocando a proteção e a intercessão de Maria, “a Mãe da Misericórdia”; que “a doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus… Dirijamos-lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus” (n. 24ab).

Queridas irmãs e irmãos diocesanos: assim como o Papa Francisco, desejo que este Ano Santo Extraordinário seja uma oportunidade única e irrepetível para vivermos, “na existência de cada dia, a misericórdia que o Pai, desde sempre, estende sobre nós. Neste Jubileu, deixemo-nos surpreender por Deus” (n. 25a). Que a nossa querida e amada Diocese de Jundiaí, chamada a ser discípula missionária do Senhor Jesus, seja também marcada pela sua infinita misericórdia, porque “a sua vida só será autêntica e credível, quando faz da misericórdia seu convicto anúncio” (cf. n. 25a).

E a todos abençoo, desejando-lhes um Santo Ano da Misericórdia.

Dom Vicente Costa

Fonte: dj.org.br