A confissão é o lugar privilegiado da misericórdia de Deus

ROME, ITALY - APRIL 18:  Pope Francis leads the Way of The Cross at the Colosseum on April 18, 2014 in Rome, Italy. The Way of the Cross is a centuries-old and much beloved devotion, that began as a sort of spiritual pilgrimage to the places and scenes and events of ChristÕs passion for those who could not make the pilgrimage to the Holy Land in person, as well as for those who had made it and wished to relive their experience, and for those who were preparing for the journey.  (Photo by Franco Origlia/Getty Images) ORG XMIT: 485297283

A misericórdia, mais do que uma atitude ou uma virtude humana, é a escolha que Deus faz em favor de cada ser humano destinado à sua eterna salvação; escolha marcada com o sangue do Filho de Deus. Assim indicou o Papa Francisco aos participantes do curso anual sobre o Foro interno, promovido pela Penitenciaria Apostólica.

Assim, disse que a misericórdia divina pode chegar gratuitamente a todos os que a invocam, porque “a possibilidade do perdão está realmente aberta a todos, e mais, está escancarada, como a maior das ‘portas santas’, porque coincide com o próprio coração do Pai, que ama e espera todos os seus filhos, de forma especial aqueles que erraram mais e estão distantes”.

Além disso, o Pontífice disse que a misericórdia do Pai pode chegar a cada pessoa de muitas maneiras: através da abertura de uma consciência sincera; através da leitura da Palavra de Deus que converte o coração, por meio de um encontro com uma irmã ou irmão misericordiosos; nas experiências da vida que nos falam de feridas, de pecado, de perdão e de misericórdia.

Nesta linha, recordou que o Sacramento da Reconciliação é “o lugar privilegiado para experimentar a misericórdia de Deus e celebrar a festa do encontro com o Pai.” O Papa disse que a festa é parte do sacramento, da mesma forma que a absolvição.

Também, destacou que quando, como confessores “nos dirigimos ao confessionário para receber os irmãos e irmãs, devemos sempre recordar que somos instrumentos da misericórdia de Deus para eles” e, portanto é necessário ficar “atentos para não colocar obstáculos a este dom de salvação”. Por isso é necessário ter sempre “atitude de fé humilde e generosa, com um único desejo, que cada fiel possa experimentar o amor do Pai”.

Por outro lado, o Papa Francisco reconheceu que cada fiel arrependido, depois da absolvição do sacerdote, tem a certeza, pela fé, de que os pecados já não existem, são cancelados pela divina misericórdia. Aliás, reconheceu que gosta de pensar que Deus tem uma fraqueza: memória ruim. Os pecados já não existem – esclareceu – porque o Senhor os esquece.

Por isso, é importante que “o confessor seja também um ‘canal de alegria’ e que o fiel, depois de ter recebido o perdão, não se sinta mais oprimido pela culpa”.

Também destacou que “somos guardiães, nunca patrões, tanto das ovelhas como da graça”. O Papa exortou a colocar no centro, e não só no Ano Jubilar, o Sacramento da Reconciliação, “verdadeiro espaço do Espírito Santo no qual, todos, confessores e penitentes, possamos experimentar o único amor definitivo e fiel, o de Deus para cada um dos seus filhos, um amor que não decepciona nunca”.

Para concluir, Francisco deu um conselho aos presentes para as situações em que não é possível dar a absolvição. Recomendo-lhes procurar sempre um caminho, porque muitas vezes é possível encontrar. Por isso recordou que, além da linguagem falada existe “a linguagem dos gestos” E pediu-lhes que falem como pais, recordem ao fiel que Deus lhes ama e deem-lhes a benção. De tal forma que estas pessoas possam sair do confessionário com a sensação de ter encontrado um pai e não de ter levado uma bronca.

 

Fonte: zenit.org