Homilia da Chegada da Imagem Jubilar de Nossa Senhora Aparecida

15134640_1194671767278246_5652613369581299342_nEstamos vivendo as alegrias da preparação do Jubileu de Ouro da Diocese de Jundiaí, e ao mesmo tempo, as graças concedidas ao povo brasileiro pela celebração dos 300 anos do encontro milagroso da Imagem da Imaculada Conceição de Aparecida. Que alegria poder partilhar com vocês, este momento histórico de nossa Igreja Particular, porque não dizer, momento histórico da Igreja no Brasil.

Quero saudar, de um modo todo especial, as irmãs do Carmelo, que no dia de hoje nos deu a alegria de acolher a Imagem Jubilar, que percorreu por três meses as paróquias da Diocese de Jundiaí.

Uma saudação fraterna e amiga ao povo de Deus, a vocês devotos amados da Mãe Aparecida, que todos os dias estão presentes nesta Igreja pra celebrar o Mistério da Páscoa de Cristo.

O Ano Santo da Misericórdia se encerrou em todas as Dioceses do mundo no dia 13 de novembro. No dia 20 de novembro, Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, o Papa Francisco fechará solenemente na Basílica de São Pedro a Porta da Misericórdia.

Isso não quer dizer que as portas do coração misericordioso de Jesus nos serão fechadas. Muito pelo contrário, as portas das santas se fecharam, mas o coração de Jesus sempre estará aberto para acolher os que arrependidos anseiam por receber a misericórdia de Deus.

Não estamos sozinhos nesta caminhada, podemos recorrer Àquela a quem proclamamos: “Eia, pois, Advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”. Contemplemos Maria, a Mãe Aparecida, a Senhora dos olhos misericordiosos, a advogada de todas as nossas causas.

Permitam-me recordar a vocês, alguns textos bíblicos que nos apresentam a figura da mulher que advoga em favor da humanidade: a Rainha Ester, a visão da mulher vestida de Sol no Livro do Apocalipse e Maria, apresentada em determinados momentos nos evangelhos.

No livro da Rainha Ester, encontramos a figura da mulher, como sinal de fortaleza, aquela que não pede por si somente, mas cheia do temor de Deus é capaz de pedir, de advogar em favor dos que sofrem: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for do teu agrado, concede-me a vida, eis o meu pedido, e a vida do meu povo, eis o meu desejo” (Ester 5,3).

No Apocalipse de São João capítulo 12, nos é apresentado o grande sinal que no céu apareceu. É Maria, porque não dizer a Senhora Aparecida, que vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas, tem intercedido em favor dos sonhos e projetos desta Igreja Particular, que na pessoa de seu Bispo Diocesano, Dom Vicente, seu presbitério, suas religiosas de vida contemplativa, e os seus missionários, tem procurado viver a comunhão com Jesus e a Sua Igreja.

No capítulo 2, 1-11 do Evangelho de São João, podemos vislumbrar de maneira concreta o amor de Deus em favor dos noivos a partir da intercessão de Maria: “Mulher, por que dizes isso a mim? Minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4). Eis meus irmãos e irmãs, aqui a comunidade de João apresenta-nos o discurso de Maria com o seu Filho, Jesus de Nazaré.

Olhemos para este momento quando Ele, o Mestre diz: “Mulher, ainda não chegou a minha hora”… É justamente no início dos sinais de Jesus, que Maria esta presente. Aqui pode até mesmo nos causar um espanto quando pela primeira vez Jesus não a chama de Mãe, mas de Mulher, o sinal perene da escuta e da obediência, que diante do questionamento de Seu Filho diz aos serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disse” (Jo 2,5).

Pois bem, agora os nossos olhos se voltam para o calvário, ou melhor, os nossos olhos se voltam para o momento da Cruz, quando podemos contemplar Jesus crucificado, que pela segunda e ultima vez, chamará à sua Mãe de Mulher: “Mulher eis aí o teu Filho. Filho eis aí a tua mãe” (Jo 19, 26-27).

A Mulher que intercedeu em favor dos noivos nas Bodas de Caná, é aquela que diante do sofrimento e do pedido de Seu Filho, tomará João por filho, símbolo da Igreja, para advogar em favor de toda humanidade, que anseia acolher os olhos misericordiosos da Mãe que cuida, e que insistentemente nos ensina diante das nossas misérias a dizer: “faça-se em mim segundo a vossa vontade” (Lc 1, 38).

Neste sentido podemos compreender no Sim de Maria o que Jesus quis dizer a multidão: “Não é somente feliz o ventre que o trouxe e os seios que o amamentou; mas felizes, sobretudo, são os que ouvem a Palavra de Deus e as põe em prática” (Lc 11,26-27).

Fazer a vontade de Deus: Eis a nossa missão! Mesmo diante das contrariedades da vida, por mais que estejamos vivendo tempos sombrios, a exemplo da Virgem, a Senhora Aparecida, a nossa Advogada, coloquemo-nos sempre a disposição de Jesus.

No Evangelho de Lucas no Capítulo 18, 35-43 que ouvimos a pouco, podemos constatar: diante do sofrimento, ficamos tristes, abatidos, por vezes perdemos a esperança pensando que a dor não passará. Mas é preciso ser perseverante, insistente… O cego ao saber que Jesus estava passando não esmoreceu, quebrou todas as barreiras, e mesmo a multidão querendo calá-lo, a sua fé foi maior.

Podemos aqui lembrar a insistência dos três pescadores Felipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves. Diante de uma pesca frustrada, o desanimo não tomou conta de seus corações. Foram inúmeras as tentativas. Com certeza o próprio Jesus deve ter dito a cada um eles: “Enxerga, pois, de novo. A tua fé te salvou” (Lc 18,42).

Falávamos a pouco acerca do sofrimento de Jesus na Cruz. Olhemos para o nosso sofrimento. Qual é a nossa cruz? O que tem nos feito ficar desanimados? Diante da morte, o que dizer a Deus?

Rezemos com entusiasmo e fervor, aquilo que as Sagradas Escrituras, e o Magistério da Igreja nos ensinam: “Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte”.

Voltemo-nos os olhares para Imagem da Senhora Aparecida. Podemos vislumbrar a simplicidade de Deus, que tanto amou o povo brasileiro confirmando que não somos órfãos, que temos uma Mãe.

Permitam-me quero rezar por vocês e para vocês:

“Senhor, eu sei que me conheces e sabes dos meus problemas. Eu sei que me acompanhas mesmo quando eu me perco. Eu sei que quando tudo me falta o Senhor está comigo. Eu sei que Tu me deste uma Mãe, Maria. A Tua Mãe é a minha mãe. Maria na simplicidade de sua presença, nunca esteve ausente. Nos momentos em que a angústia atormentava as celebrações da vida, Ela soube reconhecer e interceder. Por isso eu peço, ó Mãe intercede por nós. Quando alguma coisa acabar, intercede por nós. Quando alguma coisa faltar, intercede por nós. Quando o vinho da alegria faltar, intercede por nós. Quando eu pecar, intercede por nós. Quando eu deixar de amar, intercede por nós. Senhor amado, obrigado pela Mãe que nos destes. É mais uma prova do Teu imenso amor. Cuida de nós”, cuida das Irmãs deste Convento.

“Eia, pois, Advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos, de um modo particular neste ano que nos aproximamos dos 50 anos da Diocese de Jundiaí, e dos 300 anos do encontro de Sua Imagem no Rio Paraíba do Sul, a nós volvei para que tenhamos a coragem de fazer a vontade do Pai assim como fizeste”. Este é o nosso pedido. Este é o nosso desejo.

Pe. Márcio Felipe