Papa pede coragem e determinação no respeito aos direitos humanos

Todos são chamados a contribuir, com coragem e determinação, ao respeito aos direitos humanos. Essas são palavras do Papa Francisco em uma mensagem aos participantes da Conferência Internacional sobre o tema: “Os direitos humanos no mundo contemporâneo: conquistas, omissões, negações”.

O evento é realizado em Roma por ocasião do 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, comemorado nesta segunda-feira, 10, e dos 25 anos da Declaração e do Programa de Ação de Viena para a proteção dos direitos humanos no mundo. A conferência é promovida pelo órgão vaticano para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

A mensagem do Papa foi lida nesta manhã pelo prefeito do referido órgão vaticano, Cardeal Peter Turkson. Francisco destaca que o aniversário desses instrumentos jurídicos internacionais é oportunidade para uma reflexão aprofundada sobre o fundamento e o respeito dos direitos do homem no mundo contemporâneo, com renovado empenho em favor da defesa da dignidade humana. Isso porque, segundo o Papa, há várias contradições que levam a questionar se realmente esses direitos são reconhecidos e respeitados, 70 anos após a declaração.

“Persistem hoje no mundo numerosas formas de injustiça, alimentadas por visões antropológicas redutivas e por um modelo econômico baseado no lucro, que não hesita em explorar, descartar e até mesmo matar o homem”, considera o Papa.

Francisco recorda ainda, nesse contexto, os nascituros a quem é negado o direito de vir ao mundo; os que não têm acesso às condições necessárias para uma vida digna; os excluídos de uma educação adequada; os que não têm trabalho e os que sofrem com o trabalho escravo; os que estão presos em condições desumanas, bem como os que são discriminados e estão inseridos no contexto dos conflitos armados.

Quando esses direitos são violados ou se privilegia alguns em detrimento dos outros, ou ainda quando esses direitos são garantidos apenas a determinados grupos, ocorrem graves injustiças, acrescenta o Santo Padre na mensagem. E essas injustiças alimentam conflitos com graves consequências seja dentro das nações ou no relacionamento entre elas.

“Cada um é chamado a contribuir com coragem e determinação, na especificidade do seu papel, ao respeito dos direitos fundamentais de cada pessoa, especialmente daqueles ‘invisíveis’: de tantos que têm fome e sede, que estão nus, doentes, estrangeiros ou detidos, que vivem às margens da sociedade ou são descartados”.

Papa Francisco encerra sua mensagem fazendo um apelo aos responsáveis institucionais: pede que eles coloquem os direitos humanos no centro de todas as políticas, inclusive aquelas de cooperação ao desenvolvimento, mesmo quando isso signifique ir contra a corrente.

Fonte: cancaonova.com